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DOI

https://doi.org/10.7275/3hkz-3y92

Abstract

O artigo pretende aprofundar e alargar o conhecimento da escrita das mulheres portuguesas sobre temática colonial, proporcionando uma leitura do livro O último batuque (1963) de Maria do Céu Coelho, publicado em Moçambique em princípios da década de 1960. Trata-se de uma obra singular, por focar o tópico eminentemente masculino da caça a partir da perspetiva de uma mulher, e também por ser um livro híbrido que combina a escrita memorialística e breves novelas sobre o universo rural do Moçambique colonial. O artigo discute algumas das caraterísticas essenciais da literatura colonial portuguesa, tal como tem vindo a ser conceitualizada por diversos autores em estudos anteriores. Recorrendo também à vasta bibliografia sobre as articulações entre género, império e colonialismo, o artigo procura equacionar o posicionamento da autora no corpus da literatura colonial, bem como refletir sobre o modo como a sua escrita literária articula raça e género.

The article aims to deepen and broaden the knowledge of Portuguese women’s writing on colonial themes, providing a reading of the book O último batuque (1963) by Maria do Céu Coelho, published in Mozambique in the early 1960s. It is a unique work for focusing on the eminently masculine topic of hunting from a woman’s perspective and for being a hybrid book that combines memorialist writing and short stories about the rural universe of colonial Mozambique. The article discusses some of the essential Portuguese colonial literature features, as several authors have conceptualized it in previous studies. Also, using the vast bibliography on the articulations between gender, empire and colonialism, the article seeks to equate the author’s positioning in the corpus of colonial literature and reflect on the way her literary writing articulates race and gender.

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